Restinga da Região dos Lagos
25 ago

A chuva que cai e chega a uma média de 800 milímetros anuais na Região dos Lagos é semelhante ao Sertão Nordestino. O vento nordeste sopra durante 80% do ano. O solo, pobre e sem nutrientes, é alvo constante da especulação imobiliária. A desculpa disso é pelo fato das terras serem um ambiente quase inóspito. As características aqui encontradas apenas em trechos de municípios da Região dos Lagos, ocorre uma das vegetações mais ricas do mundo. É uma diversidade tão singular que os estudiosos até hoje não chegaram a um consenso para classificar seu ecossistema. Talvez seja pelo fato de não terem chegado a conclusão que a Região trata se de um novo ecossistema sem nome ainda.

Região dos Lagos abriga espécie de cacto única no mundo

Nessas terras, espalhadas entra as cidades de Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, o sertão encontrou o mar. O clima seco na região cria a única caatinga litorânea do país. O regime de chuvas é semelhante ao do sertão por vários fatores. É uma área especialmente afastada da Serra do Mar, onde há concentração de umidade. E, ainda, está sob a influência do fenômeno da ressurgência (corrente marinha de água fria), que reduz a evaporação da água, e por conseqüência, a formação de nuvens.

Com tantas particularidades e obstáculos, surgiu uma vegetação singular, de galhos retorcidos, espinhos e copas baixas. Entre diversas preciosidades, a vegetação abriga mais de 20 espécies de orquídeas endêmicas, raras e ameaçadas de extinção.

Restinga da Região dos Lagos

Em Arraial do Cabo, a paisagem é repleta de cactos gigantes, arbustos retorcidos e pequenas flores. Picos como o Pontal do Atalaia e o Morro do Forno, em Arraial, resistem ao avanço iminente da ocupação irregular. E há quem use a vegetação de modo sustentável. Mas a Região precisa de cuidados. O solo é pobre e, quando degradado, tende à desertificação. Árvores se entrelaçam para resistir à baixa umidade.

Em Búzios, onde também há sinais da caatinga fluminense, a degradação vem de casas mais abastadas. Costões e topos de morro onde antes havia a vegetação estão invadidos por casas de veraneio, ainda que um estudo do Ibama, de 1992, recomendasse a transformação das manchas de estepe arbórea aberta em áreas de preservação permanente. Mas, como em Arraial, ainda há o que preservar.

As vegetações de entorno das praias de Geribá, João Fernandes e Ferradura já estão comprometidas. Agora, o impacto ambiental pode chegar à Praia Azeda, um símbolo das matas secas de Búzios. Está em processo de licenciamento a construção de um condomínio de casas no terreno da praia.

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